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Gravações do filme O HOMEM DO CAMPANÁRIO

 Filmagens realizadas na cidade de Monsenhor Gil, Piauí, nos dias 21, 22 e 23 de junho de 2024.

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Qualquer um que faça cinema sabe que chegar a um set de filmagens com um cronograma de mais de 10 cenas a gravar por dia é praticamente suicídio. Dificilmente você conseguirá. Pois é, chegamos às locações de O Homem do Campanário com essa "missão impossível" na manhã do dia 21 de junho, uma sexta-feira.

O dia 21 de junho é emblemático na minha vida, dia do falecimento de minha mãe, em 2016. Por sorte, é também uma data feliz, pois é o dia do nascimento de Machado de Assis, um escritor que, como milhões de brasileiros, eu amo desde sempre. E agora tenho mais esse 21 de junho marcante na minha história pessoal, a primeira diária de gravações desse filme que sonhei produzir por tantos anos.

Tínhamos realizado duas visitas técnicas à cidade de Monsenhor Gil, antes das filmagens. O ator Vitorino Rodrigues, que protagoniza a história do filme como Jesualdo, nos levou em seu carro para essas duas visitas. Da primeira, fomos eu, Lya Forte (minha esposa e assistente de produção) Vitorino, o dançarino e ator Walberone Cruz e o contrarregra Léo. Da segunda, fomos eu, Lya, Vitorino e o iluminador Erikcson Pablo. Nas duas visitas contamos com a gentileza e acolhimento do pároco da igreja matriz, o padre Walfran, que nos permitiu filmarmos nesse lindo patrimônio histórico e eclesiástico da cidade, a Igreja Matriz Menino Deus. 

Nossa base de set da primeira diária foi a sede da Associação das Mulheres Empreendedoras de Monsenhor Gil, espaço que nos foi gentilmente concedido por Elisandra Assunção. Ali fomos calorosamente recepcionados, tomamos nosso primeiro café da manhã na cidade e fomos direto para a primeira locação do nosso cronograma de filmagens, a igreja. Filmamos ininterruptamente até cerca de 01:00h da manhã, interrompendo apenas para o almoço, o lanche da tarde e o jantar, todas essas refeições feitas ali mesmo no set. E foi praticamente esse o rojão das três diárias, todos nós trabalhando duro para darmos conta do insano cronograma de mais de 10 cenas por dia. Era isso ou voltar para casa frustrados, sem conseguirmos finalizar as gravações e sem dinheiro para deslocar a equipe outra vez para a cidade e custear todas as despesas decorrentes. Era conseguir ou conseguir. Não havia outra alternativa. E nós fomos pra cima, como guerreiros espartanos, determinados e sem olharmos para trás. E conseguimos! Sim, nós conseguimos!!! 

Com uma equipe composta de 45 profissionais, entre atores, atrizes, técnicos e figurantes, com muito esmero e alguns inevitáveis contratempos, finalizamos as gravações de O Homem do Campanário às 05:00h da manhã do dia 23 de junho. Eu mal conseguia me manter de pé quando filmamos a última cena, numa rua deserta de Monsenhor Gil. Voltamos para o Dallas Clube, onde havíamos gravado as cenas da noite, e terminamos de amanhecer o dia ali. Alguns voltaram para Teresina ainda no meio da madrugada, por terem outros compromissos profissionais na manhã de segunda-feira. Espremendo o orçamento do projeto, consegui patrocinar algumas rodadas de cerveja para a parte da equipe que permanecia conosco, até que às 8:00h da manhã nossos dois micro-ônibus fretados vieram pegar o que restava de nós (risos).

Eu havia concebido o argumento do filme há alguns anos. Falei com Vitorino Rodrigues muito antes de escrever o roteiro, disse a ele que tinha um personagem que pedia um ator com sua experiência e sensibilidade, e ele aceitou na hora fazer o Jesualdo. Isso, sem que eu fizesse a menor ideia de como ou quando iria conseguir a grana para produzir. Inscrevi o projeto no Siec algumas vezes, por uns três anos consecutivos. E nada. Mesmo assim não desisti, eu queria muito contar aquela história nas telas, não me daria por satisfeito em transformá-la num conto ou num romance. Queria que fosse um filme. E tinha que ser um filme. E segui lutando, me inscrevendo num edital após o outro, buscando obstinadamente o dinheiro para produzir o filme. Até que veio a Lei Paulo Gustavo, em 2023, e o projeto foi aprovado. Ainda assim, para conseguir acessar os recursos do projeto, mesmo já aprovado em todas as etapas, precisei (mais uma vez) me expor nas redes sociais e conquistar mais uma dúzia de antipatias e até mesmo inimizades, por causa das minhas reivindicações e críticas ao modus operandi da política cultural piauiense. Bem, é o preço que se paga quando se luta obstinadamente pela realização de sonhos. Meu coração não tem espaço para mágoas, mas apenas para a alegria e a satisfação do sonho realizado.  

O Homem do Campanário é uma produção cinematográfica que conseguiu reunir em seu elenco um núcleo de artistas de altíssima representatividade da cultura piauiense dos últimos 30 anos. As atrizes Edite Rosa (premiada em festivais nacionais de cinema), Lorena Campelo (atriz e diretora, diva do nosso teatro), Cláudia Amorim, Aretha Sâmia e Sandra Lima, ao lado dos atores Vitorino Rodrigues e Francisco Augusto, conduzem brilhantemente a narrativa na parceria com atores mais jovens, mas igualmente talentosos, como Dan Martins, Afonso Lopes, Kallyandro Sávio e Lya Forte. Na equipe técnica, um gigante da produção de áudio da nossa região é quem nos honra com a captação de som direto, José Dantas. Obviamente, mesmo com uma equipe razoavelmente grande para a produção de um curta, ainda houve a falta de muitos recursos em pessoal e equipamentos. Cinema é a linguagem mais industrial da produção artística, e num set de filmagens você precisa de gente e de equipamentos para tudo, simplesmente tudo. Mas, como diz meu amigo e cineasta baiano Diogo Oliveira, "aqui no Nordeste ainda fazemos cinema de guerrilha". E é isso mesmo, a gente consegue algum dinheiro e trabalha com o que dá pra conseguir, em termos de equipamentos e número de pessoas para a equipe.

No entanto, qualitativamente estávamos muito bem. Gravamos como uma câmera de entrada que é uma das melhores de sua categoria, uma Sony Alpha 6400. Dentro da categoria Mirrorless, que é a categoria das câmeras do futuro, essa pequenina máquina faz milagres, começando por filmar em 4k com a qualidade desejável. Ela traz em seu kit uma lente 16mm - 50mm. Como é uma lente de abertura menor para gravar em ambientes escuros, eu precisaria alugar lentes de maior abertura, bem caras, pois o filme apresenta cenas externas noturnas. Foi aí que entrou em ação a generosidade do meu amigo Diogo Oliveira, já citado aqui, que me enviou de Salvador três excelentes objetivas, entre elas uma 74mm - 300mm, além de um steadycam eletrônico, sem me cobrar absolutamente nada. Assim, ficamos munidos de todo o equipamento básico para uma excelente captação.

Como eu disse para a equipe do filme, assim que retornamos para Teresina, o que fica dessa experiência, para mim, é um saldo absolutamente positivo. Houve contratempos e adversidades nesse processo? Sim, houve. Entretanto, em nossas vidas, barreiras existem para serem transpostas. Não se chega a nenhum lugar paradisíaco sem ter que cruzar ao menos um trecho acidentado ou tortuoso do caminho. O que realmente importa é chegar lá. E ouso acreditar que chegamos lá, em O Homem do Campanário. Claro que me refiro ao trabalho de produção do filme. A pós-produção será realizada pelo Diogo Oliveira, que fará o que de melhor for possível fazer em cima do que nós fizemos aqui, nas filmagens. Pode ser que tenham havido falhas, que algumas coisas não tenham dado muito certo. Num set de gravações, ainda mais quando se tem mais de 10 cenas para gravar num dia, algumas coisas irão falhar. Mas isso é algo que precisa ser assumido e até mesmo incorporado à produção audiovisual. O que ficou bom se usa. O que não ficou bom, mas dá pra consertar, se conserta e se usa. E o que não ficou bom nem dá pra consertar, se descarta. É simples assim e cruel assim.

Despachei pelos Correios, via Sedex, um drive com todo o material de vídeo e de áudio do filme para Salvador, na última sexta-feira, dia 05/07. O material chegou às mãos de Dioguito nesta segunda-feira, dia 08/07. Agora é aguardar e torcer para que o saldo positivo deste processo se materialize também na pós-produção. E que O Homem do Campanário possa ser o filme de qualidade que tanto sonhei em produzir ao longo de todos esses anos. 

Meu muito obrigado a toda a minha equipe, e a todos aqueles que, direta ou indiretamente, ajudaram a realizar este projeto.

Comentários

  1. ter o prazer de participar dessa equipe multe facetas foi um privilégio em especial a Lya e Eduardo que fizeram oaximo.pra produção e seus participantes se sentirem bem sempre e acolhidos .acho que a chave para o sucesso de qualquer produção é essa humanização e acolhimento de todos sem distiçãlo

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  2. Espetáculo nas Telinhas sendo contado numa magnífica Cidade do Piauí e trazendo uma trama com um desfecho incrível de emocionante 💖💖.

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